Do Diário do Aço

Estrada Parque deveria ter sido concluída em março de 2011
MARLIÉRIA – A novela da Estrada Parque Bispo Dom Helvécio parece interminável. Após o afastamento da empresa responsável pelas obras até dezembro do ano passado ainda falta definição sobre o prosseguimento da pavimentação e calçamento do trecho que liga a sede do município ao Parque Estadual do Rio Doce (Perd). Curiosamente, a obra, que é uma compensação ambiental por danos em outras obras do governo estadual, transformou-se em outro problema.
A Oriente Construção Civil responde a um processo administrativo ajuizado pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER-MG), devido a uma série de irregularidades verificadas no andamento da obra. Além da lentidão na execução do cronograma, houve a comprovação da falta de qualidade dos serviços executados, fatores determinantes para se decretar o afastamento da empresa. A contratação de nova empresa para a continuação das intervenções depende da conclusão de processo administrativo. E como a burocracia não dá respostas imediatas, teme-se que a conclusão dos procedimentos ocorra às vésperas de um novo período chuvoso.
Os estragos causados por uma obra mal planejada e mal executada podem ser vistos logo na saída de Marliéria. Na subida do Pico do Jacroá, além de crateras no piso, há muita terra acumulada de maneira incorreta. Por sorte, a chuva não provocou grandes desmoronamentos, que levariam toneladas de lama e detritos para a zona residencial.
A assessoria de Comunicação do Núcleo de Relacionamento do Governo de Minas afirma que os 14,4 quilômetros que receberem o asfalto estão em boas condições. Trata-se de uma afirmação contraditória. A camada de asfalto não foi distribuída de maneira uniforme, faltam canaletas, não há sinalização e, em alguns trechos, os motoristas já têm de utilizar desvios. Em meio a esses transtornos, cresce a preocupação de quem precisa trafegar nos 21,9 quilômetros do trecho compreendido entre o portal de entrada, em Marliéria, até a reserva ambiental, à margem da rodovia MG-760, que há décadas também aguarda asfaltamento.
Cratera pode ser observada próximo às casas
Com o abandono das obras na Estrada Parque, o trânsito pelo acentuado declive do Pico do Jacroá, que leva ao povoado de Santa Rita, fica a cada dia mais arriscado. É que foram feitos cortes nas encostas e outras intervenções que exigiriam obras imediatas de restauração e recomposição, para evitar novas erosões.
Valores
Dos R$ 17,2 milhões orçados para execução do projeto, segundo o governo do estado, foram liberados cerca de R$ 8 milhões para pagamento dos serviços ora abandonados. A conclusão da obra estava prevista inicialmente para março de 2011. A pedido da Oriente, nova data foi estipulada para dezembro passado.
Com a paralisação dos trabalhos, a assessoria de Comunicação do governo estadual afirma que, tão logo o DER-MG tenha condições de atuar novamente para a retomada dos serviços, será realizado um levantamento sobre a necessidade de recuperação do trecho já “concluído”, bem como de um possível acréscimo na planilha de custos.
À época do afastamento da Oriente, a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), lamentou a situação, classificando-a como atípica, haja vista que a empresa se qualificou como apta para executar o trabalho proposto, o que acabou não ocorrendo.
Repórter : Bruna Lage