Do: JVA Online

MARLIÉRIA – A Polícia Militar agiu rápido e conseguiu capturar duas pessoas que teriam sido as responsáveis pelo brutal assassinato ocorrido no fim-de-semana, em Marliéria. O servente de pedreiro Vander Madalena, de 24 anos, e o carvoeiro Rodrigo Fortunato de Oliveira, 26, foram presos na manhã desta terça-feira (13). O primeiro, que chegou a tentar fugir deitado em uma carroça, confessou o crime e deu detalhes da barbárie. Já o outro garante ser inocente. A vítima do homicídio, Luís Carlos Machado Estevão, 28, foi morta a porretadas, teve o corpo queimado e a cabeça enfiada na lama.
Segundo Vander, ele e o carvoeiro assassinaram Luís Carlos em uma tocaia. “Compramos três pedras de crack e ‘carregamos ele’ para fumar perto da represa de Cava Grande. Usei um porrete para matá-lo. Era um pau de eucalipto. Eu acho que foram umas duas ou três pauladas que dei. Não tenho certeza. Bati na nuca. Arrastei o corpo por uns três minutos até jogar dentro d’água. Eu não estava sozinho não. O outro também ajudou”, contou o servente de pedreiro, completando sobre a participação do comparsa: “O Rodrigo empurrou, e ele (Luís Carlos) caiu no córrego. Aí nós começamos a dar as porretadas. Eu bati a primeiro e depois o Rodrigo bateu o resto e ainda deu um monte de bicudas. Tanto que ficou com o sapato sujo de sangue. Em seguida nós dois puxamos o corpo e jogamos dentro d’água”.
Vander afirmou que não queimou cadáver e não sabe quem o fez. Conforme ele, após cometer o crime, seguiu para a casa que mora, trocou de roupas e foi em direção à residência das tias no povoado de Mundo Novo, ainda em Marliéria. “Ele (Luiz Carlos) me devia R$ 1 mil, não pagou e eu o matei. Era um dinheiro que eu havia emprestado a ele. Meu comparsa foi o Rodrigo. Ele buscou a droga pra gente fumar e as primeiras porretadas fui eu quem deu. Mas as outras foi ele. Rodrigo ajudou a jogar o corpo dentro d’água também”, acusou Vander.
O carvoeiro foi taxativo ao declarar que não está envolvido no crime. “Não sei e não faço a mínima idéia do porquê de ele (Vander) estar me incriminando. Eu nem mexo com drogas. A única droga que eu mexo é cigarro e bebida”, disse. No entanto, a Polícia Militar apurou que Luiz Carlos teria furtado um aparelho de DVD dele, bem como o agrediu violentamente durante em uma briga. “Ele (Luiz Carlos) chegou a quebrar o braço de Rodrigo. Já tem um tempão isso. Como Luiz me devia R$ 1 mil e Rodrigo estava furioso com ele por ter sido agredido e também pelo fato do DVD furtado, nós resolvemos matá-lo”, revelou o servente de pedreiro.
Incriminação
Indagado sobre quais motivos Vander teria para acusá-lo, Rodrigo não soube explicar. “Deve ser porque ele não queria ‘cair sozinho’. Estava a fim de levar outro como culpado também. Eu não tenho nada a ver com isso. Estão me prendendo à toa. Eu não matei Luiz e muito menos coloquei fogo no corpo. Nunca tive problemas com ele e estou sendo preso injustamente”, afirmou o carvoeiro.
O servente de pedreiro ainda afirmou que não foi a primeira vez que foi preso. Conforme ele, já foi enquadrado na lei Maria da Penha (agrediu a companheira alcoolizado) e esteve envolvido em brigas.
Prisão
Cumprindo determinação do capitão Sérgio Renato, da 85ª Cia. de PM de Timóteo, policiais militares trabalharam ininterruptamente na captura dos homens que mataram Luiz Carlos. “Estávamos no encalço desses criminosos desde o dia em que o homicídio ocorreu, inclusive sem dormir e descansar. E hoje (nesta terça-feira), graças a Deus, conseguimos prender os dois autores do crime. Vander contou com riquezas de detalhes como cometeu o assassinato e falou que o fogo no corpo não foi ele quem colocou. Quem teria queimado o cadáver seria o Rodrigo”, discorreu o tenente Paulino, um dos policiais que participaram da prisão da dupla.
Carroça
De acordo com o oficial da PM, tudo indica que o carvoeiro tenha agido de forma efetiva no homicídio. “O Rodrigo nega as acusações, mas as circunstâncias que aconteceram os fatos, bem como a declaração do outro autor, deixam clara a participação dele no homicídio”, explicou Paulino. O tenente ainda falou sobre como foi a prisão da dupla: “Rodrigo estava em uma carvoaria, situada na saída de Cava Grande para Timóteo. Segundo ele, estava trabalhando lá. Já ‘Vandinho’ (Vander) foi preso tentando fugir novamente. Ficamos no encalço dele no povoado de Mundo Novo. Na segunda-feira (dia 12), continuamos o tempo todo no encalço dele, que estava escondido em um matagal. Já nesta terça-feira de manhã, ao perceber a nossa presença novamente lá, Vander tentou fugir em uma carroça, mas nós conseguimos prendê-lo. Ele estava deitado escondido na carroceria da carroça. O carroceiro só dava uma carona a Vander e não sabia do fato, motivo pelo qual não foi preso”. O servente de pedreiro e o carvoeiro foram encaminhados à delegacia para prestar esclarecimentos.
Entenda o caso
O corpo de Luís Carlos foi encontrado por volta das 9h30 deste domingo (11), em um matagal à margem do quilômetro 16 da BR-425, no distrito de Cava Grande, em Marliéria. O cadáver estava em decúbito dorsal (com a barriga voltada para cima), seminu e com queimaduras. A cabeça estava enterrada no meio de um lamaçal, perto de uma represa. O cadáver foi localizado no local por uma pessoa que não quis se identificar à polícia.
Foram encontradas marcas de sangue em uma trilha de acesso ao lugar onde o corpo estava. Na sexta-feira (9), Luís Carlos foi visto com Vander Madalena. Na residência do autor confesso do crime, a Polícia Militar encontrou o pé de um tênis semelhante ao que foi localizado perto da trilha onde havia as marcas de sangue.